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BIBLIOGRAFIA » ARTIGOS
 
Barros, Arísia. Amanhã: Dia Internacional pela Eliminação do Racismo , Gazeta de Alagoas , Maceió, AL, 20/03/2007

O racismo é a tradução de uma memória nacional imperialista, colonizadora e separatista, distorcendo lugares humanos, sociais e políticos. No Brasil, muitas vezes traduz, a fórmula dogmática de uma “verdade” social de que negros e negras são excluídos porque são pobres e não porque também são negros, logo é bem melhor torná-los pardos, morenos, mulatos, pois a “mistura” dá-lhe uma face mais humana.

O Dia Internacional pela Eliminação do Racismo, 21 de março, é a data que cobra reflexão da sociedade, e dos poderes constituídos. Em 2001, na Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban, na África do Sul, o Brasil reconheceu a prática do racismo e assinou acordo de combate ao esse comportamento. Foi brasileira a maior comitiva enviada do planeta para Durban: 500 pessoas. Como anda a aplicabilidade da lei nº10.639/03 nas escolas brasileiras/alagoanas? Como é aplicada a lei n°7.716/89 que diz que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”. Porque continuamos pregando a “democracia racial” se todos os números da exclusão giram em torno da questão negra? A miséria, a pobreza, tem cor: É negra.

São os negros que compõem o maior contingente carcerário, são os negros que morrem ainda de causas não identificadas e não estudadas pela medicina brasileira, são os negros que mais lotam as filas de desempregados. São os negros que não passam no teste da boa aparência da colônia européia chamada Brasil. São os negros que menos freqüentam os bancos das escolas e, como conseqüência de tudo isso, são também os negros que menos têm acesso à universidade e à formação em profissões de linha de ponta na sociedade.

É um ciclo vicioso: o racismo gera a exclusão social, a exclusão social tira a igualdade de oportunidades, a não igualdade de oportunidades empurra negros e negras para espaços subalternos, espaços subalternos equivalem a salários mínimos que rimam com pobreza que por sua vez é traduzida em violência.

Na véspera do Dia Internacional Internacional pela Eliminação do Racismo, vale uma reflexão de como instituir políticas públicas para dar iguais oportunidades a um povo que deu corpo, suor e alma para dar vida a essa Nação chamada Brasil.
Alagoas é referência nacional na aplicabilidade da lei nº10.639 (de 9 de janeiro de 2003), que torna obrigatório o ensino da história da África e dos afrodescendentes, além do estudo das relações inter-raciais no ambiente escolar. Já é algo a comemorar.
(*) É professora e coordenadora do Núcleo Temático Identidade Negra na Escola.

Arísia Barros

 
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