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Maranhão, Magno de Aguiar . Mais ação, Rio de Janeiro, 03/03/2007

É lamentável, mas temos de abordar, de novo, um fato real, que é a falta de mais ação para corrigirmos os erros nos investimentos da área da educação. É preciso mais dinheiro e muito mais vontade política para que possamos, realmente, partirmos do dircurso para as ações.

De que adiantam as muitas avaliações por que passam nossos alunos e nossos estabelecimentos de ensino, em todos os níveis, se nada é feito paralelamente para corrigir as falhas? Há, pelo menos, 17 anos faz-se avaliações, como a do Saeb e Enem, sem que nenhum proveito dos resultados seja tirado.

Sai governo, entra governo, mudam os ministros, e o discurso é sempre o mesmo: "Educação é prioridade", "Sem educação não se faz um país livre!", "A igualdade social começa pela educação", "É preciso educar o povo para que o país cresça". E nada além disso acontece. Só mesmo os discursos.

É óbvio que as avaliações são necessárias, mas, para quê, se os governos não aproveitam os resultados negativos para nada? Não é possível que só restem questões engraçadas a serem abordadas humoristicamente em programas de televisão ou para circularem em páginas da internet.

Por isso mesmo, é inaceitável notícia que saiu em todos os órgãos de imprensa, recentemente: o Estado gasta mensalmente muito mais com um menor infrator, detido numa instituição correcional, do que com um aluno em nossas escolas. Isso é absurdo, é vergonhoso e porque não dizer, criminoso.

E não adianta ficar fazendo discurso - depois de novas cenas de violência urbana, quando a sociedade começou a rediscutir a necessidade ou não da redução da maioridade penal - de que a maior culpada pela grande desigualdade social do nosso povo é a educação, ou melhor, a falta dela.

E o que foi feito por este ou outros governos? De efetivo, nada! Há muito que só se fica na falação. Quais as ações reais? O que foi feito para preparar adequadamente os professores, a formação de quem vai ser responsável por transmitir todos os ensinamentos e manter ávido o interesse dos nossos jovens.

E não me venham falar da Capes, que, agora, ficará responsável pela formação dos professores - será? -, que isso é coisa para um próximo artigo. O que foi feito para valorizar esses profissionais da educação, permitindo-lhes constante atualização? E os salários? Como conviver com esse estado de coisas?

O que foi feito para que em todos os mais diversos rincões do Brasil existam escolas fundamentais em prédios condizentes, com salas de aula apropriadas - iluminação e acústica corretas, por exemplo -, carteiras adequadas, banheiros e cozinhas higienicamente perfeitos, merenda escolar, transporte etc, e tal?

O que foi feito para que, nessas escolas, esses alunos não se evadissem porque tinham de trabalhar para ajudar os pais, precisavam voltar para a lavoura, já que era hora da colheita, ou, mesmo, desmotivados por não verem qualquer perspectiva futura, desistissem no conjunto da desesperança total?

O que foi feito nas escolas de nível médio para melhorar o aprendizado e permitir que os alunos, independentemente de estudarem em escolas públicas ou particulares, possam, se assim o desejarem, lutar por uma vaga nas melhores universidades em igualdade e terem condições de acompanhar os ensinamentos sem prejudicar o resto da turma?

O que foi feito para que os alunos de nível médio não ficassem sem aulas de determinadas matérias por falta de professores em diversas disciplinas, tais como Física, Geografia e História, por exemplo?

O que foi feito, para que, neste país continental de tantas desigualdades a formação profissional de nível médio. Por que o aluno não termina o ensino médio realmente formado em alguma profissão?

O que foi feito para melhorar a qualidade do ensino nas universidades? O que foi feito para que, nas universidades públicas, o aluno não tivesse de enfrentar tantas greves de professores, por causa de um salário indecente, como nos outros níveis?

Algumas ações de fachada, tipo cortina de fumaça, mas, de efetivo, praticamente nada, porque isso é muito caro e, na verdade, a educação nunca é vista como um investimento necessário. O maior e melhor investimento que qualquer país tem de fazer.

É preciso acabar com a conversa fiada e partir para ações efetivas. É preciso haver vontade política de todos os níveis de governo. É necessário colocar profissionais - e não políticos - nos cargos de comando da pasta da edução e investir pesado no setor. Esta é, realmente, a saída para o Brasil crescer.

É hora de mais ação!

Magno de Aguiar Maranhão é Presidente da Comissão de Legislação e Normas do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro

 
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